El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 01 Nov 2012 19:39

Conozcamos un poco mejor a las grandes figuras del fado, del siglo pasado, la mayoría, por desgracia, ya fallecidas.

Amália Rodrigues, para todos sólo Amália, (Lisboa, 23 de julio de 1920 – Lisboa, 6 de octubre de 1999) fue la más importante de las cantantes de fado de Portugal del siglo XX. Es conocida como "La Reina del Fado" siendo la figura más conocida e influyente fuera de las fronteras de Portugal a través de sus múltiples actuaciones internacionales, incluyendo TV y películas. Ya desde niña era conocida en su entorno por sus aptitudes para la canción. Después de unos años en diferentes trabajos —vendedora callejera de fruta, de bordados de Isla Madeira, de ron de las colonias—, debutó en el año 1939 en el Retiro da Severa, un local muy conocido por los amantes de la música popular. Un año después contrajo matrimonio con el guitarrista Francisco da Cruz. Su primera actuación fuera de Portugal fue en Madrid, en el año 1943, cuando conoció, entre otras personalidades de la época, a Imperio Argentina —junto a la que llegó a actuar en algunas ocasiones— y a Manolete. Sus primeras grabaciones, de un total estimado de 170, datan de 1945 y fueron realizadas en Brasil. Recibió reconocimiento internacional a partir de ese momento y llegó a actuar en escenarios de renombre en Nueva York, París, Tokio y Moscú.

Amalía Rodrigues falleció el 6 de octubre de 1999 en su casa lisboeta y fue enterrada en el Cementerio de Prazeres, después de un funeral de estado multitudinario realizado en la Basílica da Estrela. Un año después de su fallecimiento, la Asamblea de la República de Portugal decidió honrar su memoria con el traslado de sus restos al Panteón Nacional, situado en la Iglesia de Santa Engrácia. La ceremonia se llevó a cabo el 9 de julio de 2001; desde entonces reposa en la sala de los escritores ilustres. La casa en la que vivía Amália, en la Rua São Bento número 193, situada junto a la Asamblea de la República Portuguesa, se abrió como «Casa Museo de Amália Rodrigues» en el mes de agosto de 2001 para preservar su legado artístico y su figura.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=wj8FkJRjZxU[/bbvideo]

Fado do ciúme.

Se não esqueceste
O amor que me dedicaste,
E o que escreveste
Nas cartas que me mandaste,
Esquece o passado
E volta para meu lado,
Porque já estás perdoado
De tudo o que me chamaste.

Volta meu querido,
Mas volta como disseste,
Arrependido
De tudo o que me fizeste,
Haja o que houver
Já basta p'ra teu castigo
Essa mulher
Que andava agora contigo.

Se é contrafeito
Não voltes, toma cautela
Porque eu aceito
Que vivas antes com ela
Pois podes crer
Que antes prefiro morrer
Do que contigo viver
Sabendo que gostas dela.

Só o que eu te peço
É uma recordação,
Se é que mereço
Um pouco de compaixão,
Deixa ficar
O teu retrato comigo,
P'ra eu julgar
Que ainda vivo contigo.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=Ttlh8GGdfgk[/bbvideo]

Uma casa portuguesa.

Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
e se à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem esta franqueza, fica bem,
que o povo nunca desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejos
mais o sol da primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
e a cortina da janela é o luar,
mais o sol que bate nela...
Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar
uma existência singela...
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tigela.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=jt0WUyrG8b8[/bbvideo]

Tudo isto é fado.

Perguntaste-me outro dia
Se eu sabia o que era o fado
Disse-te que não sabia
Tu ficaste admirado
Sem saber o que dizia
Eu menti naquela hora
Disse-te que não sabia
Mas vou-te dizer agora

Almas vencidas
Noites perdidas
Sombras bizarras
Na Mouraria
Canta um rufia
Choram guitarras
Amor ciúme
Cinzas e lume
Dor e pecado
Tudo isto existe
Tudo isto é triste
Tudo isto é fado

Se queres ser o meu senhor
E teres-me sempre a teu lado
Nao me fales só de amor
Fala-me também do fado
E o fado é o meu castigo
Só nasceu pr'a me perder
O fado é tudo o que digo
Mais o que eu não sei dizer

Almas vencidas
Noites perdidas
Sombras bizarras
Na Mouraria
Canta um rufia
Choram guitarras
Amor ciúme
Cinzas e lume
Dor e pecado
Tudo isto existe
Tudo isto é triste
Tudo isto é fado

Amor ciúme
Cinzas e lume
Dor e pecado
Tudo isto existe
Tudo isto é triste
Tudo isto é fado
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
"La salud es un estado transitorio que no augura nada bueno". (Ramón Sánchez Ocaña). "El populismo ama tanto a los pobres que los multiplica". (Gloria Álvarez)
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 01 Nov 2012 20:02

Berta Cardoso (Lisboa, 21 de outubro de 1911 — Lisboa, 12 de julho de 1997) foi uma cantora portuguesa de fado. Berta é a fadista de referência da "época de ouro" do fado, a cantadeira que "chegou, cantou e venceu" e que foi desde logo considerada a "loucura dos fadistas". Canta pela primeira vez, em público, no Salão Artístico de Fados, acompanhada por Armandinho; o sucesso é tal que é de imediato convidada para integrar o elenco da casa, o que não vem a concretizar-se em virtude de ter apenas 16 anos. Vai, no entanto, a Espanha gravar o seu primeiro disco e em 1930 é notícia de primeira página da Guitarra de Portugal, de 30 de Outubro. Ali se refere que Berta Cardoso é "um nome consagrado", é "uma vocação que se revelou espontânea e claramente desde a sua estreia". Dotada de um estilo e de uma capacidade interpretativa singulares, Berta Cardoso tinha uma dicção irrepreensível e uma voz privilegiada, tendo ficado conhecida como "A voz de oiro do fado". A sua ascensão artística é meteórica, passando, de imediato, do anonimato a primeira figura da canção nacional.

Durante as décadas de 30, 40 e 50, tem uma notável carreira que divide entre os palcos das casa de fado e dos teatros de revista, a nível nacional e internacional; a partir da década de 60, opta por actuações mais intimistas, confinando-se quase exclusivamente às casas de fado. Durante a sua longa carreira, Berta Cardoso criou inúmeros êxitos, tendo gravado para várias editoras discográficas, entre elas a Valentim de Carvalho, a Odeon, a Columbia, a Capitol, a Imavox... Sempre com edições esgotadas, restam alguns 78RPM e vinil, nas mãos de particulares/coleccionadores. No mercado habitual, apenas na loja do Museu do Fado e na Discoteca Amália, se pode adquirir o CD da etiqueta Estoril que reproduz seis dos seus maiores êxitos: Fado Antigo, Fado Faia, Chinela, Meu Lar, Cinta Vermelha e Cruz de Guerra, sendo a letra, dos 5 primeiros fados, da autoria de João Linhares Barbosa e a letra do 6º fado, de Armando Neves. Existe ainda, no circuito comercial, um outro CD, editado pela Movieplay Portuguesa, o nº 20 da colecção Fados do Fado, com 4 fados de Berta Cardoso: Cruz de Guerra, de Armando Neves, Meu amor fugiu do ninho e Noite de São João, ambos de J. Linhares Barbosa e Testamento, de João Redondo.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=dBIAuzZe3hw[/bbvideo]

Cinta vermelha (fado Magala).

Põe esta cinta vermelha
P'ra adelgaçar-te a cintura
Eu quero que todas vejam
Que tens bonita figura

Hoje vai meter tourada / Comprei já, duas barreiras
A coisa vai ser falada / Na boca das cantadeiras

Eu quero que as companheiras / Conheçam esta aventura
No fado já se murmura / Que somos de igual quilate
Põe esta cinta escarlate / P'ra adelgaçar-te a cintura

Levo travessas vermelhas / Porque o vermelho é picante
Ponho argolas nas orelhas / P'ra me tornar provocante;
Eu quero, ao meu amante / Que é toda a minha loucura
É da alta, e tem altura / Que as outras todas invejam;
Eu quero que todas vejam / Que tens bonita figura

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=kNIo0FLdITU[/bbvideo]

Noite de S. João.

"Foi numa noite de verão
d'emoção, pelo S. João,
que eu resolvi ir ao baile
vesti um traje catita
de chita muito bonita
e o meu mais vistoso xaile
... ... ... ...

Que noite de S. João
noite não e de traição
naquele bairro das Trinas
O tal que me namorava
também estava, mas dansava
co' a mais bela das varinas
... ... ... ...

Descalcei uma chinela
Ele, que andava com ela,
Virou-se, e saiu comigo!

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=UKtlAYoknj8[/bbvideo]

Cruz de guerra.

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Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 01 Nov 2012 20:23

Lucília Nunes Ascensão do Carmo (Portalegre, 1920 - Lisboa, 1999), conocida artísticamente como Lucília do Carmo fue una célebre fadista portuguesa, madre del también fadista Carlos do Carmo. A los cinco años, junto a su familia, se establece en Lisboa. Su debut como fadista tuvo lugar en el Retiro da Severa, en 1936, cuando apenas contaba 17 años, en presencia de los propietarios y empresarios de las más típicas casas de fado de Alfama, Bairro Alto y Mouraria, los tres barrios fadistas más populares en Lisboa. Su presencia en escena y su voz captaron la atención del público y su reconocimiento como artista fue rápido.

Casada con Alfredo de Almeida, en 1939, da a luz a su hijo Carlos do Carmo. Con ella conoció su hijo el fado, que posteriormente también cantaría, internacionalizándose y cantando al lado de voces como Mariza, entre otros. En 1947, abrió su propia casa de fados, llamada Adega da Lucília, que más tarde cambió el nombre por el de O Faia. La casa, en la que actuaba con frecuencia, estaba en el Bairro Alto, en plena Rua Barroca. Atrajo al local a algunos de sus amigos fadistas, como Alfredo Marceneiro y Tristão da Silva. Ary dos Santos, que frecuentaba O Faia, dice de la fadista: »Lucília do Carmo es, en mi opinión, un clásico del fado!».

Se retiró durante cinco años de los círculos culturales lisboetas, y se fue al Brasil. Tras su retorno realizó algunas actuaciones en el extranjero, pero pocas grabaciones discográficas.
Entre sus éxitos se encuentran los fados Leio em teus olhos, Foi na Travessa da Palha, Maria Madalena, Não gosto de ti, Preciso de te ver, Senhora da Saúde, Olhos garotos, Antigamente, Tia Dolores, Loucura, Zé Maria, Lá vai a Rosa Maria. En la década de 1980 se retiró de la vida artística. Pasó a la historia del fado como una de las mejores voces del género en el siglo XX. Falleció en Lisboa en 1999.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=X1dbEWebo5Q[/bbvideo]

Foi na Travessa da Palha.

Foi na Travessa da Palha
Que o meu amante, um canalha
Fez sangrar meu coração;
Trazendo ao lado outra amante
Vinha a gingar petulante
Em ar de provocação

Na Taberna de Friagem
Entre muita fadistagem / Enfrentei-os sem rancor
Porque a mulher qu'ele trazia
Com certeza não valia / Nem sombra do meu amor

A ver quem tinha mais brio
Cantamos ao desafio / Eu e essa outra qualquer
Deixei-a perder de vista
Mostrando ser mais fadista / Provando ser mais mulher

Foi uma cena vivida
De muitas da minha vida / Que se não esquecem depois
Só sei que de madrugada
Após a cena acabada / Voltamos para casa os dois

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=i5VQ8Rw84Ew[/bbvideo]

Tia Dolores.

Vi hoje a Tia Diolores
Veio falar-me dos filhos
Cheia dum prazer profundo;
Porque esses seus dois amores
São os únicos atilhos
Que a trazem segura ao mundo

O João é marinheiro
Um rapagão denodado / Que anda sempre a navegar
É um moço prazenteiro
No seu olhar esverdeado / Andam vestígios do mar

De olhos azuis, o segundo
Mais novo do que o João / É um cabeça no ar
Nunca se prendeu ao mundo
Quis ir para a aviação / E leva a vida a voar

Assim, a Tia Dolores
Conta, não escondendo as mágoas / Que a envolvem como um véu
Os olhos dos seus amores
Um é verde côr do mar / Outro, azul da côr do céu

Ela procede aos amanhos
Duma casinha na serra / Aonde espera morrer
Velhinha de olhos castanhos
Castanhos, da côr da serra / Da terra que a viu nascer

Um, tem olhos côr do mar
Outro, olhar azul divino / No céu, no mar, andam escolhos
Eu então fico a pensar
Se a gente segue o destino / Que diz bem á côr dos olhos

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=661ttt9iqVk[/bbvideo]

Ele há de ter o castigo.
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 01 Nov 2012 20:40

Maria Teresa de Noronha (Lisboa, 7 de Novembro de 1918 — Sintra, São Pedro de Penaferrim, 4 de Julho de 1993) foi uma fadista portuguesa. Proveniente de uma família com raízes aristocratas, filha de D. António Maria de Sales do Carmo de Noronha (Lisboa, 20 de Janeiro de 1880 - Lisboa, 2 de Fevereiro de 1954), 430.º Sócio do Clube Tauromáquico, e de sua mulher (Lisboa, Pena, 6 de Fevereiro de 1904) Maria Carlota Appleton de Noronha Cordeiro Feio (19 de Setembro de 1889 - ?), era bisneta, pelo lado paterno, de D. João Inácio Francisco de Paula de Noronha, 2.º Conde de Parati, e de D. Vasco António de Figueiredo Cabral da Camara, 3.º Conde de Belmonte, e, pelo lado materno, descendente dos Condes dos Arcos. Tornou-se 3.ª Condessa de Sabrosa, pelo seu casamento com José António Barbosa de Guimarães Serôdio, grande admirador do Fado e guitarrista amador.

Mostrando desde cedo uma grande aptidão para interpretar o Fado, cantava em festas de família e de amigos. Com a sua visita aos retiros de Fado passa a ser conhecida a sua expressão artística e a ganhar muitos admiradores autênticos, entre eles, vários conhecedores do Fado. Em 1939 grava O Fado dos Cinco Estilos, o seu primeiro single. Um ano antes já a Emissora Nacional convidara Maria Teresa a actuar, tendo sido acompanhada pelo guitarrista Fernando Freitas e pelo violista Abel Negrão, sendo apresentada aos ouvintes pelo locutor D. João da Câmara. O êxito obtido levou-a a iniciar o programa semanal Fados e Guitarradas, que esteve no ar vinte e três anos seguidos.

Canções como Fado da Verdade, Fado Hilário e Fado Anadia foram êxitos que muito agradaram ao grande público, assim como outros fados do seu repertório, entre os quais: Nosso Fado, Fado Menor e Maior, Minhas Penas, Pintadinho, Pombalinho ou Fado Rio Maior. Em 1968 abandona a Emissora Nacional mas não deixa de cantar, continuando a fazê-lo em privado. De entre as suas actuações no estrangeiro destaca-se a sua deslocação a Espanha em 1946, por ocasião do Festival da Feira do Livro de Barcelona, e ainda a Madrid, a convite do Governo espanhol, para actuar no Hotel Ritz, onde obteve um êxito estrondoso. Ainda em 1946 vai ao Brasil e é igualmente muito apreciada. Actuou no Mónaco para Grace Kelly e Rainer III e em 1964 desloca-se a Londres para actuar na BBC. A sua dicção, a sua maneira de se expressar, a forma como dominava as figurações intrincadas como os pianinhos e os roubados tornou-a criadora de um estilo muito próprio, que fez escola.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=B7Fevkon78s[/bbvideo]

Desengano.

E adorei-te, acreditei
No bem que eu ambicionei
Dum amor sinceridade
As tuas promessas puras
E o calor das duas juras
Tinham a luz da verdade

Mas um dia te esqueceste
De tudo o que me disseste
Em confissões tão ardentes
Iludiste duas vidas
Com mil palavras fingidas
Que não sentiste nem sentes

Ao contemplar o passado
Como um golpe já fechado
Que ainda sinto doer
Vejo em teus falsos carinhos
Que as rosas têm espinhos
E também fazem sofrer.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=IHoeF084JDQ[/bbvideo]

Rosa enjeitada.

Sou essa rosa caprichosa, sem ser má
Flor de alma pura e de ternura ao Deus dará
Que viu um dia que sentia um grande amor
E de paixão, seu coração estalar de dôr

Rosa enjeitada
Sem pai, sem mãe, sem ter nada
Que vida triste e chorada o teu destino te deu
Rosa enjeitada
Flor da lama espezinhada
Afinal, desventurada, quem és tu?
Rosa enjeitada!... uma mulher que sofreu

Tão pobrezinha ainda tinha uma ilusão
Alguém que amava e a quem dava seu coração
Mas esse alguém, por outro bem se apaixonou
E assim fiquei sem ele que amei, que me enjeitou

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=-ImKpm3lMNw[/bbvideo]

Mataram a Mouraria.

Já tarde, quando passava
Ouvi alguém a gemer
Naquela rua sombria
Era o fado que chorava
Porque lhe foram dizer
Mataram a Mouraria

A tradição condoída
Também chorava por ver
O amigo desolado
E dizia; é a lei da vida
Vem o futuro a nascer
E vai morrendo o passado

O fado já mal se ouvia
Mas teve forças ainda
P'ra dizer á companheira
Mataram a Mouraria
Velhinha que foi tão linda
Já não tenho quem me queira

Hei-de cantá-la mil vezes
Como souber, bem ou mal
Ou eu não me chame fado
Enquanto houver portugueses
Ninguém diga em Portugal
Que vai morrendo o passado
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 01 Nov 2012 21:40

Hermínia Silva (Lisboa, 2 de outubro de 1907 - 13 de junho de 1993) foi uma fadista portuguesa. Hermínia Silva nasceu em 1907, cinco anos depois de Ercília Costa, a primeira fadista que saiu das fronteiras de Portugal. Cedo se tornou presença notada nos retiros de Lisboa, que não hesitaram em contratá-la, pela originalidade com que cantava o Fado. A Canção dos Bairros de Lisboa estava-lhe nas veias, não fôra ela nascida, ali mesmo junto ao Castelo de São Jorge. As "histórias" dos amores da Severa com o Conde de Vimioso estavam ainda frescas na memória do povo.

Rapidamente, a sua presença foi notada nos retiros, e passados poucos anos, em 1929, Hermínia Silva estreava-se numa Revista do Parque Mayer. Era a primeira vez que o Fado vendia bilhetes na Revista. Alguns jornais da época, referiam-se a ela, como a grande vedeta nacional, chegando a afirmar-se, que a fadista tinha "uma multidão de admiradores fanáticos". A sua melismática criativa, a inclusão no Fado, de letras menos tristes, por vezes com um forte cunho de crítica social, e o seu empenho em trazer para o Fado e para a guitarra portuguesa, fados não tradicionais, compostos por maestros como Jaime Mendes, compositores como Raul Ferrão, criando assim o chamado "fado musicado", aquele fado cuja música corresponde unicamente a uma letra, se bem que composto segundo a base do Fado, e em especial, tendo em atenção as potencialidades da guitarra portuguesa.

Hermínia Silva torna-se assim, sem o haver planeado, num dos vértices do Fado, tal qual ele existe, enquanto estilo musical: Alfredo Marceneiro foi o primeiro vértice, o da exploração estilística do Fado Tradicional, tendo em Ercília Costa o seu maior ícone; Hermínia viria a trazer o Fado para as grandes salas do Teatro de Revista, e viria a "inaugurar" a futura Canção Nacional, com acompanhamentos de grandes orquestras, dirigidas por maestros, que também eram compositores. A sua fama atingiu um tal ponto que o Cinema, quis aproveitar o seu sucesso como figura de grande plano.

Efectivamente, nove anos depois de se ter estreado na Revista, Hermínia integra o elenco do filme de Chianca de Garcia, Aldeia da Roupa Branca (1938), num papel que lhe permite cantar no filme. Nascera assim, a que viria a ser considerada, a segunda artista mais popular do século XX português, depois de Amália Rodrigues, o terceiro vértice do Fado, ainda por nascer.

Depois de várias presenças no estrangeiro, com especial incidência no Brasil e em Espanha, Hermínia aposta numa carreira mais concentrada em Portugal. O seu conhecido e parodiado receio em andar de avião, inviabilizou-lhe muitos contratos que surgiam em catadupa. Mas, Hermínia estava no Céu, na sua Lisboa das sete colinas.

Em 1943 é chamada para mais um filme, o Costa do Castelo, em 1946 roda o Homem do Ribatejo, passando regularmente pelos palcos do Parque Mayer, fazendo sucesso com os seus fados e as suas rábulas de Revista. Efectivamente, Hermínia consegue alcançar tal êxito no Teatro, que o SNI, atribui-lhe o "Prémio Nacional do Teatro", um galardão muito cobiçado na época. Até 1969, em "O Diabo era Outro", a popularidade da fadista encheu os écrans dos cinemas de todo o país. Vieram mais Revistas, mais recitais, muitos discos de sucesso.

Mas, para quem quisesse conhecer a grande Hermínia bem mais de perto, ainda tinha a oportunidade de ouro, de vê-la ao vivo e a cores, sem microfone, na sua Casa - o Solar da Hermínia, restaurante que manteve quase até ao fim da sua vida artística. Felizmente, o Estado Português, o Antigo e o Contemporâneo, reconheceu Hermínia Silva. São vários os Prémios e Condecorações, as distinções e as nomeações, justíssimas para uma artista, que fez escola, e que hoje, constitui um dos três maiores nomes da Canção Nacional, ao lado de Marceneiro e de Amália, que por razões diferentes, pelos "apports" de forma e conteúdo distintos que trouxeram à Canção de Lisboa, fizeram dela, o Fado, tal qual hoje é entendido, cantado, tocado e formatado. A fadista cantou quase até falecer, em 13 de Junho de 1993. Morria assim uma das maiores vedetas do Fado e do Teatro de Revista Português. Foi levada ao cemitério dos Prazeres.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=JjZsjD4SIgQ[/bbvideo]

A Tendinha.

Junto ao Arco de Bandeira
Há uma loja a Tendinha
De aspecto rasca e banal
Na história da bebedeira
Aquela casa velhinha
É um padrão imortal

Velha taberna
Nesta Lisboa moderna
É da tasca humilde e terna
Que mantém a tradição
Velha tendinha
És o templo da pinguinha
Dos dois brancos, da ginginha
Da boêmia e do pifão

Noutros tempos, os fadistas
Vinham, já grossos das hortas
Pra o seu balcão caturrar,
Os fidalgos, e os artistas
Iam pra aí, horas mortas
Ouvir o fado e cantar

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=ClEt3wuRW6g[/bbvideo]

Lisboa antiga.

Lisboa, velha cidade,
Cheia de encanto e beleza!
Sempre a sorrir tão formosa,
E no vestir sempre airosa.
O branco véu da saudade
Cobre o teu rosto linda princesa!

Olhai, senhores, esta Lisboa d'outras eras,
Dos cinco réis, das esperas e das toiradas reais!
Das festas, das seculares procissões,
Dos populares pregões matinais que já não voltam mais!

Lisboa, velha cidade,
Cheia de encanto e beleza!
Sempre a sorrir tão formosa,
E no vestir sempre airosa.
O branco véu da saudade
Cobre o teu rosto linda princesa!

Olhai, senhores, esta Lisboa d'outras eras,
Dos cinco réis, das esperas e das toiradas reais!
Das festas, das seculares procissões,
Dos populares pregões matinais que já não voltam mais!

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=Sl6O8-7esnc[/bbvideo]

Rosa camareira.
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
"La salud es un estado transitorio que no augura nada bueno". (Ramón Sánchez Ocaña). "El populismo ama tanto a los pobres que los multiplica". (Gloria Álvarez)
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 02 Nov 2012 01:25

El que sigue es, con Amália, otra de las leyendas del fado: Alfredo Duarte, "O Marceneiro", conocido popularmente por Alfredo Marceneiro.

Alfredo Marceneiro nació en 1891 en la parroquia de Santa Isabel, en Lisboa, adonde sus padres se había mudado en busca de mejores perspectivas laborales y económicas, el pequeño Alfredo pronto mostró interés por el teatro, actividad que acabaría por abandonar en favor de la música. El también fadista Júlio Janota lo animó a que aprendiese el oficio de ebanista arguyendo que de este modo podría tener más tiempo libre para dedicarlo al fado. En esta época, a principios del siglo XX, era muy común que los fadistas fuesen conocidos por motes: Alfredo adoptó el de marceneiro (ebanista) en referencia a su profesión, un sobrenombre que jamás abandonaría y que ya es sinónimo de fado. Desde un principio resultó evidente que Marceneiro poseía el don de la improvisación y su fama como cantante y compositor pronto le granjeó un contrato de grabación. Los discos de pizarra que registró para el sello Valentim de Carvalho allá por 1930 son hoy en día piezas de museo codiciadas por los coleccionistas.

Marceneiro no es únicamente una leyenda del fado, sino que es una figura imprescindible al analizar la evolución del género durante el siglo XX, así como para poder comprender lo que el fado es hoy en día. Él fue uno de los primeros fadistas en preocuparse por su imagen y su indumentaria, fue él quien puso de moda la costumbre de cantar a media luz, de pie ante los músicos que lo acompañaban, creando así una atmósfera más intimista, casi mística. De esta manera, Marceneiro se destacó por promover la profesionalización del medio fadista, compuesto hasta su aparición mayoritariamente por cantantes aficionados. A pesar de que su voz, un tanto ronca y tenue pero marcada por un sutil dramatismo, nunca se caracterizó por su potencia ni por su versatilidad, Marceneiro fue capaz de crear un estilo propio inmediatamente reconocible que influyó en la mayor parte de los fadistas que le siguieron.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=ipU2IGUzjEY[/bbvideo]

Colchetes d'oiro.

Toma lá colchetes d’oiro
Aperta o teu coletinho
Coração que é de nós dois
Deve andar conchegadinho

P’ra ficar mais lindo ainda / Teu coletinho de rendas
Aqui trago minha querida / A mais modesta das prendas
Não quero que tu te ofendas / Nem que tomes por desdoiro
Não te ofertar um tesouro / Digno de teu coração
Mas dados por minha mão
Toma lá colchetes d’oiro

São mimúsculas estrelas / Que se perderam no ar
E a lua p’ra reavê-las / Pôs de atalaia o luar
Ainda as pude apanhar / No meu nocturno caminho
E fiz delas com carinho / Estes colchetes, portanto
Minha boneca de encanto
Aperta o teu coletinho

Se fores de noite à rua / Deves guardá-los com jeito
Não quero que a dona lua / Toque ao de leve o teu peito
Que eu sempre guardei respeito / Pela grandeza dos sóis
Mas vim a saber depois / E fiquei compenetrado
Que deve ser respeitado
Coração que é de nós dois

Os corações dos amantes / Só se conseguem prender
Com colchetes florantes / Dos que te vim oferecer
Mais tarde quando nascer / Do nosso amor, um filhinho
Na doçura deste ninho / Nos dirá por sua vez
Coração que é de nós três
Deve andar conchegadinho

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=_auH9IF-WLg[/bbvideo]

O bêbado pintor.

Encostado sem brio ao balcão da taberna
De nauseabunda cor e tábua carcomida
O bêbado pintor a lápis desenhou
O retrato fiel duma mulher perdida

Era noite invernosa e o vento desabrido
Num louco galopar ferozmente rugia,
Vergastando os pinhais, pelos campos corria,
Como um triste grilheta ao degredo fugido.
Num antro pestilento, infame e corrompido,
Imagem de bordel, cenário de caverna,
Vendia-se veneno à luz duma lanterna
À turba que se mata, ingerindo aguardente,
Estava um jovem pintor, atrofiando a mente,
Encostado sem brio ao balcão da taberna.

Rameiras das banais, num doido desafio,
Exploravam do artista a sua parca féria,
E ele na embriaguez do vinho e da miséria,
Cedia às tentações daquele mulherio.
Nem mesmo a própria luz nem mesmo o próprio frio,
Daquele vazadouro onde se queima a vida,
Faziam incutir à corja pervertida,
Um sentimento bom d’amor e compaixão,
P’lo ébrio que encostava a fronte ao vil balcão,
De nauseabunda cor e tábua carcomida.

Impudica mulher, perante o vil bulício
De copos tilintando e de boçais gracejos,
Agarrou-se ao rapaz, cobrindo-o de beijos,
Perguntando a sorrir, qual era o seu oficio,
Ele a cambalear, fazendo um sacrifício,
Lhe diz a profissão em que se iniciou,
Ela escutando tal, pedindo-lhe alcançou
Que então lhe desenhasse o rosto provocante,
E num sujo papel, o rosto da bacante
O bêbado pintor com um lápis desenhou.

Retocou o perfil e por baixo escreveu,
Numa legível letra o seu modesto nome,
Que um ébrio esfarrapado, com o rosto cheio de fome,
Com voz rascante e rouca à desgraçada leu,
Esta, louca de dor, para o jovem correu,
E beijando-lhe o rosto, abraço-o de seguida...
Era a mãe do pintor, e a turba comovida,
Pasma ante aquele quadro, original, estranho,
Enquanto o pobre artista amarfanha o desenho:
O retrato fiel duma mulher perdida.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=1bA1fRuuHTg[/bbvideo]

O Marceneiro.

Com lídima expressão e voz sentida
Hei-de cumprir no Mundo a minha sorte
Alfredo Marceneiro toda a vida
Para cantar o fado até à morte.

Orgulho-me de ser em toda a parte
Português e fadista verdadeiro,
Eu que me chamo Alfredo, mas Duarte
Sou para toda a gente o Marceneiro.

Este apelido em mim, que pouco valho,
Da minha honestidade é forte indício.
Sou Marceneiro, sim, porque trabalho,
Marceneiro no fado e no ofício.

Ao fado consagrei a vida inteira
E há muito, por direito de conquista.
Sou fadista, mas à minha maneira,
À maneira melhor de ser fadista.

E se alguém duvidar crave uma espada
Sem dó numa guitarra para crer,
A alma da guitarra mutilada
Dentro da minha alma há-de gemer.
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
"La salud es un estado transitorio que no augura nada bueno". (Ramón Sánchez Ocaña). "El populismo ama tanto a los pobres que los multiplica". (Gloria Álvarez)
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 02 Nov 2012 01:56

Carlos Ramos nasceu no bairro de Alcântara a 10 de Outubro de 1907, e faleceu em Novembro de 1969. Desde muito novo corria os locais do seu bairro, Alcântara, onde houvesse fadistices sempre acompanhado pela sua guitarra, para alinhar na fadistice. Torna-se profissional em 1944 pela mão de Filipe Pinto e estreia no Café Luso com uma letra do repertório de Alfredo Marceneiro, "Senhora do Monte" com música deste, e letra de Gabriel de Oliveira, foi decerto este fado que logo no inicio mais contribui para a sua popularidade, e lhe deu mais nome, o próprio criador do tema, Alfredo Marceneiro o aplaudiu nessa exibição sem qualquer rivalidades, eram dois bons amigos.

Carlos Ramos, não prescindindo dos acompanhadores habituais acompanhava-se sempre tocando a sua guitarra. Foi como guitarrista muito solicitado no Teatro de Revista. Trabalhou na Tipóia e na Tágide. Carlos Ramos, era um homem afável, de espírito aberto e gentil, teve e tem grandes admiradores, criou um estilo muito próprio que fez escola, tem muitos seguidores do seu vasto repertório e do seu estilo, tinha uma voz doce, atraente e sedutora, exprimindo ao cantar tal sentimento, que tudo aquilo que dizia era Fado.

Foi proprietário de um restaurante típico no Bairro Alto a que deu o nome de: A TOCA DE CARLOS RAMOS, que foi frequentada por toda as gentes do Fado quer artistas, quer clientes, destaca-se dos seus contratados, Alfredo Marceneiro e Maria do Espírito Santo. Relembremos alguns dos seus êxitos: Não Venhas Tarde. Aquela Feia, Café de Camareiras, Chinelas da Mouraria, O amor é louco, Lisboa é Sempre Lisboa, Biografia do Fado, Anda o Fado noutra Bocas, Tempos Antigos, etc. Compôs uma música para um fado a que deu o título "Fado Olga". Tem bem um lugar na História do Fado de dos fadistas.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=DffCrsvjKQ8[/bbvideo]

Biografia do fado.

Perguntam-me p'lo Fado
Eu conheci-o
Era um ébrio, era um vadio
Que andava na Mouraria
Talvez 'inda mais magro que um cão galgo
E a dizer que era fidalgo
Por andar com a fidalguia

O pai era um enjeitado
Que até andou embarcado
Nas caravelas do Gama
Um mal andrajado e sujo
Mais jingão do que um marujo
Dos velhos becos de Alfama

Pois eu
Sei bem onde ele nasceu
Que não passou de um plebeu
Sempre a puxar p'ra vaidade
Sei mais
Sei que o Fado é um dos tais
Que não conheceu os pais
Nem tem certidão de idade

Perguntam-me por ele
Eu conheci-o
Num perfeito desvario
Sempre amigo da balbúrdia
Entrava na Moirama a horas mortas
Ia abrir as meias portas
Era o rei daquela estúrdia

Foi às esperas de gado
Foi cavaleiro afamado
Era o delírio no entrudo
Naquela vida agitada
Ele que veio do nada
Não tendo nada era tudo

Pois eu
Sei bem onde ele nasceu
Que não passou de um plebeu
Sempre a puxar p'ra vaidade
Sei mais
Sei que o Fado é um dos tais
Que não conheceu os pais
Nem tem certidão de idade

Sei mais
Sei que o Fado é um dos tais
Que não conheceu os pais
Nem tem certidão de idade

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=cEyxMdtGUiY[/bbvideo]

Sempre que Lisboa canta.

Lisboa cidade amiga
que és meu berço de embalar
ensina-me uma cantiga
das que tu sabes cantar

Uma cantiga singela
Daquelas de enfeitiçar
P'ra eu cantar à janela
Quando o meu amor passar

Sempre que Lisboa canta
Não sei se canta
Não sei se reza
A sua voz com carinho
Canta baixinho
Sua tristeza

Sempre que Lisboa canta
à gente encanta
Sua beleza
Pois quando Lisboa canta
Canta o fado
com certeza

Eu quero dar-te um castigo
Por tanto te ter amado
Quero que cantes comigo
Os versos do mesmo fado

Quero que Lisboa guarde
Tantos fados que cantei
Para cantar-me mais tarde
Os fados que lhe ensinei

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=2WGTENlPlt8[/bbvideo]

Canto o fado.

Há para o sofrimento
Um bom remédio afinal
É cantar e num momento
Ninguém se lembra do mal
Não custa mesmo nada
Tentem fazer como eu
Uma guitarra afinada
Um voz bem timbrada
E tudo esqueceu

Quando a tristeza me invade
Canto o fado
Se me atormenta a saudade
Canto o fado
Haja ciúme á vontade
Canto o fado
Por uma esperança perdida
Não passe na vida
Por um mau bocado
Se acaso a sorte o esqueceu
É fazer como eu
Deixe andar cante o fado

Não e que não me interesse
Por quem a dor não resiste
Mas há gente que parece
Que gosta até de andar triste
Tem sempre um ar fatal
A que ninguém o obriga
E nesta vida afinal
Vendo bem nada vale
Mais do que uma cantiga
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 02 Nov 2012 22:58

Fernando Farinha (Barreiro, 20 de Dezembro de 1928 (oficialmente 5 de Maio de 1929) - 12 de Fevereiro de 1988), foi um cantor português de fado, que ficou conhecido como o Miúdo da Bica. Fernando Tavares Farinha, ainda criança veio residir para Lisboa com os pais, – os tempos eram difíceis e o seu pai, barbeiro de profissão decide tentar a sorte na capital, para uma recatada casa no bairro da Bica, onde viveu mesmo quando o sucesso fez dele uma estrela nacional. Aos 7 anos já cantava e entrou em vários concursos infantis, teve tanto êxito que passou a ser chamado de “Miúdo da Bica”, por esta altura foi convidado para mascote da Marcha da Bica 1935. Em 1940, grava o seu primeiro disco EP com quatro temas: Descrença, Meu Destino, Tem Juízo Rapaz e Sempre Linda.

Em 1942, estreia como atracção no Teatro na revista “Boa Vai Ela”, em que também entrava Hermínia Silva, mais tarde nos anos sessenta ainda é atracção na revista “Sal e Pimenta”. Em 1951, tem a sua primeira deslocação ao estrangeiro indo ao Brasil onde teve grande aceitação. Em 1955, comemora as suas “Bodas de Prata” de carreira artística no Coliseu dos Recreios em Lisboa e é premiado com a Guitarra de Prata.

Em 1957, a Rádio Peninsular atribui-lhe o galardão de a “Voz mais portuguesa de Portugal”. Em 1963 protagoniza dois filmes “ O Miúdo da Bica” e “ A Última Pega”. Entre finais dos anos 60 em diante faz digressões artísticas por todo o mundos, Bélgica, França, Inglaterra, Alemanha, África do Sul, Argentina e E.U.A. Fernando Farinha faleceu no dia 12 de Fevereiro de 1988.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=T-knCmRNOZQ[/bbvideo]

Beijo emprestado,

Andei contigo a dançar
E ao reparar nos olhos teus
Vi que sorriam contentes
Nem frente dos olhos meus

Um beijo pede-se e dá-se
E eu fui pelo velho ditado e dei-te um beijo na face
Dá-me o calor de beijo que te emprestei quero ver
Se o teu amor é igual ao que eu te dei
Fica mais leve de quem paga contas que tem
Quem paga aquilo que deve, não deve nada a ninguém

Vê se te lembras Maria
Daquele dia que te emprestei
Um beijo que me pediste
E nos teus lábios deixei
Vê lá bem quando te atreves
A liquidar esse beijo
Que á tanto tempo me deves

Dá-me o calor do beijo
Que te emprestei quero ver
Se o teu amor é igual ao que eu te dei
Fica mais leve quem paga contas que tem
Quem paga aquilo que deve não deve nada a ninguém
Fica mais leve quem paga contas que tem
Quem paga aquilo que deve não deve nada a ninguém

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=kKws2SsMq5E[/bbvideo]

Aguarela fadista,

Meia-luz sombras bizarras
Um tom plangente e magoado
Atenção gemem guitarras
Silêncio canta-se o fado
Atenção gemem guitarras
Silêncio canta-se o fado

Nas toscas mesas de pinho
Xailes negros e samarras
Canjirões copos de vinho
Meia-luz sombras bizarras
Canjirões copos de vinho
Meia-luz sombras bizarras

A viela está dormindo
Um sono curto e pesado
A viela está dormindo
Um sono curto e pesado
E as guitarras vão carpindo
Um tom plangente e magoado
E as guitarras vão carpindo
Um tom plangente e magoado

Na taberna há burburinho
E a por fim ás algazarras
Alguém avisa baixinho
Atenção gemem guitarras
Alguém avisa baixinho
Atenção gemem guitarras

E a noite mãe da desgraça
Escurece mais um bocado
E a noite mãe da desgraça
Escurece mais um bocado
Como a dizer a quem passa
No silêncio canta-se o fado
Como a dizer a quem passa
Silêncio canta-se o fado.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=oKLFNbuw7Ek[/bbvideo]

Belos tempos.

Belos tempos, que eu vivi
Com oito anos de idade
Quando no fado apareci
Ambição, sonho querido
Em que eu fiz desta canção
O meu brinquedo preferido
De muito novo
Assentei praça no fado
E com as praças antigas
Aprendi a ser soldado
Passei a pronto
Fiz do fado a minha luta
E agora tenho saudade
De quando era recruta

Belos tempos, quem me dera
Voltar à velha unidade
Do retiro da severa
Ter ainda, o carinho
Desse grande comandante
Que se chamava armandinho
Ver novamente, cantadores e cantadeiras
Naquele grupo valente
Que deu brado nas fileiras
E ouvir também
Alguém chamar na parada
Pelo "miúdo da bica"
E eu responder à chamada
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor Sol » 02 Nov 2012 22:58

Gracias dardo, además de bonito, me parece instructivo lo que estás poniendo aquí. -victory
Protegedme de la sabiduría que no llora, de la filosofía que no ríe y de la grandeza que no se inclina ante los niños.
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 02 Nov 2012 23:21

Maximiano de Sousa ou Max (Funchal, Madeira, 20 de Janeiro de 1918 — 29 de Maio de 1980) foi um cantor e fadista português. Foi uma das mais populares vedetas da rádio, do teatro e da televisão portuguesas, desde os anos quarenta até à sua morte em 1980. A ele se devem êxitos como Noites da Madeira, Bailinho da Madeira ou A Mula da Cooperativa. E nada faria prever que este jovem madeirense, que sonhava ser barbeiro e fora alfaiate, viria a ser um dos mais populares artistas portugueses.

Maximiano de Sousa, de todos conhecido como Max, era madeirense, nascido no Funchal em 1918. Foi aí que iniciou a sua carreira artística. Sonhara ser barbeiro e violinista, tinha ouvido para a música mas pouca paciência para aprender o solfejo, e acabou por aprender o ofício de alfaiate. Contudo, o bichinho da música que sempre tivera tornou-se numa carreira em 1936, quando começa a actuar no bar de um hotel do Funchal: cantor à noite, alfaiate de dia. Em 1942, é um dos fundadores - como cantor e baterista - do Conjunto de Toni Amaral, que se torna numa sensação nas noites madeirenses e que, em 1946, vem conquistar Lisboa. O trabalho é muito e o conjunto assenta arraiais no night-club Nina, interpretando os ritmos do momento - boleros, slows, fados-canções. E é o "Fado Mayerúe" de Armandinho e Linhares Barbosa, mais conhecido como "Não Digas Mal Dela", que populariza a voz de Max e leva à sua saída do Conjunto de Toni Amaral, iniciando finalmente a carreira a solo que desejava em 1948.

Agora actuando sozinho, Max dispara para o estrelato através da rádio e das suas presenças no Passatempo APA do Rádio Clube Português, em parceria com Humberto Madeira. Em 1949, assina contrato com a Valentim de Carvalho e grava o seu primeiro disco: um 78 rotações com "Noites da Madeira" e "Bailinho da Madeira". É o primeiro de uma longa lista de sucessos como A Mula da Cooperativa, Porto Santo, 31 ou Sinal da Cruz. Em entrevista ao jornal Se7e, em 1978, referia que eram os discos que lhe davam mais dinheiro, pois "os direitos de autor estavam sempre a pingar".

Depois da rádio, Max conquista o teatro, participando a convite de Eugênio Salvador na revista Saias Curtas, em 1952. Será apenas a primeira de uma longa série de revistas que confirmarão também os seus dotes de actor e humorista. Em 1957, parte para os EUA para uma digressão de cinco anos interrompida por uma súbita doença de coração ao fim de dois. Viajará em seguida por Angola, Moçambique, África do Sul, Brasil e Argentina. Regressado a Portugal, embora continue a ser um dos artistas mais queridos do público, encontrará alguma dificuldade de trabalho, sobrevivendo à conta dos discos que continuava a gravar. Um dos seus maiores êxitos surgirá aliás neste período, "Pomba Branca". Faleceu em 1980.

¡Qué grande, Max! :okis:

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=3n6kPD0i2xQ[/bbvideo]

Nem às paredes confesso.

Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça

Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Isto é sincero
Porque não quero
Dar-te um desgosto

De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E até aposto
Que não gosto de ninguém

Podes sorrir
Podes mentir
Podes chorar também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso

Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
Por quem eu espero

Se eu gosto ou não afinal
Isso é comigo
Mesmo que penses
Que me convences
Nada te digo

De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E até aposto
Que não gosto de ninguém

Podes sorrir
Podes mentir
Podes chorar também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso

Podes sorrir
Podes mentir
Podes chorar também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=nZuCV0DxFew[/bbvideo]

A Rosinha dos limões.

Quando ela passa, franzina e cheia de graça,
Há sempre um ar de chalaça, no seu olhar feiticeiro.
Lá vai catita, cada dia mais bonita,
E o seu vestido, de chita, tem sempre um ar domingueiro.

Passa ligeira, alegre e namoradeira,
E a sorrir, p'rá rua inteira, vai semeando ilusões.
Quando ela passa, vai vender limões à praça,
E até lhe chamam, por graça, a Rosinha dos limões.

Quando ela passa, junto da minha janela,
Meus olhos vão atrás dela até ver, da rua, o fim.
Com ar gaiato, ela caminha apressada,
Rindo por tudo e por nada, e às vezes sorri p'ra mim…

Quando ela passa, apregoando os limões,
A sós, com os meus botões, no vão da minha janela
Fico pensando, que qualquer dia, por graça,
Vou comprar limões à praça e depois, caso com ela!

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=qbL6Qj5tQxU[/bbvideo]

Vielas de Alfama.

Hora morta, noite escura
Uma guitarra a trinar
Uma mulher a cantar
O seu fado de amargura
E através da vidraça
Enegrecida e quebrada
A sua voz magoada
Entristece quem lá passa

Vielas de Alfama
Ruas da Lisboa antiga
Não há fado que não diga
Coisas do vosso passado
Vielas de Alfama
Beijadas pelo luar
Quem me dera lá morar
Para viver junto do fado.

A lua às vezes desperta
Apanha desprevenidas
Duas bocas muito unidas
Numa porta entreaberta
Então a lua corada
Ciente da sua culpa
Como quem pede desculpa
Esconde-se envergonhada

Vielas de Alfama
Ruas da Lisboa antiga
Não há fado que não diga
Coisas do vosso passado
Vielas de Alfama
Beijadas pelo luar
Quem me dera lá morar
Para viver junto do fado.

Vielas de Alfama
Ruas da Lisboa antiga
Não há fado que não diga
Coisas do vosso passado
Vielas de Alfama
Beijadas pelo luar
Quem me dera lá morar
Para viver junto do fado.
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 03 Nov 2012 00:01

Fernando Mauricio, nació el 21-11-1933 en Lisboa en el Barrio de la Morería y falleció, asimismo en dicha ciudad, el 15 de Julio de 2003, a consecuencia de una trombosis. Está considerado, por muchos conocedores del fado, como el mayor fadista de su generación, a pesar de no haber desarrollado una carrera discográfica, con regularidad. Sus seguidores, todos los años, coincidiendo con el aniversario de su fallecimiento, organizan un homenaje, en su memoria, interpretando fados de su repertorio, en la famosa calle lisboeta "Rua do Capelão".

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=Ugxhv52q46s[/bbvideo]

Moreninha da travessa.

Moreninha da travessa
Que atravessa a minha rua
Apenas por culpa sua
Penas minha alma atravessa

Onde vai assim depressa
Porque atravessa a correr
Fugindo a quem a quer ver
Onde vai com tanta pressa

Por mais que diga e lhe peça
Que essa pressa diminua
Apressada continua
E o que eu digo não lhe interessa

Qualquer dia inda tropeça
Nessa pressa de fugir
Tropeça e pode cair
Veja lá não caia nessa

Mas se cair lhe aconteça
Pra se livrar de embaraços
Veja se cai nos meus braços
Moreninha da travessa

Veja se cai nos meus braços
Veja lá se cai depressa

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=rZ12gLPHEQo[/bbvideo]

Leilão da Casa da Mariquinhas.

Ninguém sabe dizer nada
Da formosa Mariquinhas,
A casa foi leiloada,
Venderam-lhe as tabuinhas.
Ainda fresca e com gajé
Encontrei na Mouraria
A antiga Rosa Maria
E o Chico do Cachené.
Fui-lhes falar, já se vê,
E perguntei-lhes de entrada
Pela Mariquinhas, coitada...
Respondeu-me o Chico: "E vê-la?
Tenho querido saber dela
Ninguém sabe dizer nada."
As outras suas amigas,
A Clotilde, a Júlia, a Alda,
A Inês, a Berta, a Mafalda,
E as outras mais raparigas
Aprendiam-lhe as cantigas,
As mais ternas, coitadinhas,
Formosas como andorinhas
Olhos e peitos em brasa...
Que pena tenho da casa
Da formosa Mariquinhas!
Então o Chico apertado
Com perguntas, explicou-se:
"A vizinhança zangou-se
fez um abaixo-assinado,
diziam que havia fado
alí, até madrugada,
e a pobre foi intimada
a sair; foi posta fora
e por mor duma penhora
a casa foi leiloada."
O Chico fora ao leilão,
Arrematou uma guitarra,
O espelho, a colcha com barra,
O cofre-forte e o fogão.
Como não houve cambão,
Porque eram coisas mesquinhas,
Trouxe um par de chinelinhas,
O alvará e as bambinelas.
E até das próprias janelas
Venderam-lhe as tabuinhas.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=8Q88I6mR0dQ[/bbvideo]

Boa noite solidão.
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
"La salud es un estado transitorio que no augura nada bueno". (Ramón Sánchez Ocaña). "El populismo ama tanto a los pobres que los multiplica". (Gloria Álvarez)
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 03 Nov 2012 00:07

Sol escribió:Gracias dardo, además de bonito, me parece instructivo lo que estás poniendo aquí. -victory


Gracias a ti, y a todos los compañeros del foro, por permitirme que pueda compartir mi afición musical, con todos vosotros.
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 03 Nov 2012 11:41

Hago una parada en la descripción de las biografías de los principales intérpretes del fado, para volver a referirme a esa maravilla que filmó Carlos Saura, en su película Fados, y que rodó en una sala del Museo do Fado lisboeta, que reproduce el ambiente de una Casa de Fados. En esta ocasión, al vídeo le acompaño las magníficas letras de los fados que se interpretaron. Merece destacarse que, aparte de la figura consagrada de Vicente da Câmara, figuran en el elenco una muy joven Carminho, -tenía 20 años, en ese tiempo-, que incluso llevaba puesta una ortodoncia, y un también joven, Ricardo Ribeiro, que estaba sentado en una mesa con su esposa, la también fadista, Ana Sofia Varela, y que interviene asimismo en el vídeo. (Ricardo Ribeiro es considerado, hoy en día, como el mejor fadista masculino). Finalmente, hay que destacar asimismo que se reuniese un grupo excelente de guitarristas: Pedro Castro y Nobre Costa, a la guitarra portuguesa, Jaime Santos, a la viola (guitarra española) y, en el bajo acústico, el profesor Joel Pina, que acompañó durante muchos años a Amália y que, hoy en día, sigue actuando con más de 90 años de edad.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=i-CW0JuIl6c[/youtube]

Fado Corrido - Vicente da Câmara
(Vicente da Câmara / Popular *Fado Corrido*)

Uma amizade perdida
Nunca mais pode voltar
É amizade fingida
Se vai e volta a brincar
Ninguém dá nada
Se atrás não vier contravalor
Ninguém dá nada
Se atrás não vier contravalor

Só um amigo é capaz
Sem receber dar amor
Só um amigo é capaz
Sem receber dar amor

Minha mãe eu canto a noite - Maria da Nazaré
(Vasco de Lima Couto / Popular *Fado Menor*)

Minha mãe, eu canto a noite
Porque o dia me castiga
É no silêncio das coisas
Que eu encontro a voz amiga

Minha mãe, eu sofro a noite / Neste amor em que me afundo
Porque as palavras da vida / Já não têm outro mundo

Minha mãe eu grito a noite / Como um barco que te afasta
E naufraga no mar alto / Ao pé da onda mais casta

Por isso sou este canto / Minha mãe, tão magoado
Que visto a noite em meu corpo / Sem destino, mas com fado

Fado Corrido - Ana Sofia Varela
(Tiago Torres da Silva / Popular *Fado Corrido*)

Talvez o fado me diga
O que ninguém quer dizer
E por isso eu o persiga
Para nele me entender
E por isso eu o persiga
Para nele me entender

Meu amor tenho cantado
Sobre um céu tão derradeiro
Porque me entrego em cada fado
Como se fosse o primeiro

Talvez o fado não me peça
Tudo aquilo que lhe dou
Por isso por mais que o esqueça
Ele não esquece o que eu sou
Por isso por mais que o esqueça
Ele não esquece o que eu sou

Fado das Horas - Carminho
(D. António de Bragança / Popular *Fado Mouraria*)

Chorava por te não ver,
por te ver eu choro agora,
mas choro só por querer,
querer ver-te a toda a hora.

Passa o tempo de corrida,
quando falas eu te escuto,
nas horas da nossa vida,
cada hora é um minuto.

Quando estás ao pé de mim,
sinto-me dono do mundo.
mas o tempo é tão ruim,
tem cada hora um segundo.

Deixa-te estar a meu lado
e não mais te vás embora
para meu coração coitado
viver na vida uma hora

Guitarrada - Pedro de Castro & José Luís Nobre Costa (guitarra portuguesa); Jaime Santos (viola); Prof. Joel Pina (baixo)

Fama de Alfama - Ricardo Ribeiro & Pedro Moutinho
(Carlos Conde / José Lopes *Fado Lopes*)

Não tenham medo da fama
De Alfama mal afamada
A fama ás vezes difama
Gente boa, gente honrada

Fadistas venham comigo / Ouvir o fado vadio
E cantar ao desafio / Num castiço bairro antigo

Vamos lá, como eu lhes digo / E hão-de ver de madrugada
Como foi boa a noitada / No velho bairro de Alfama

Eu sei que o mundo falava / Mas por certo, com maldade
Pois nem sempre era verdade / Aquilo que se contava
Não tenham medo da fama
De Alfama mal afamada

Muita gente ali, levava / Viva sã e sossegada
Sob uma fama malvada / Que a salpicava de lama
A fama ás vezes difama
Gente boa, gente honrada

Do filme "Fados" de Carlos Saura.
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 03 Nov 2012 18:55

¿Qué se puede decir de Dulce Pontes? ¿Que posee la voz más emotiva, cálida y con los más variados matices, de todas las intérpretes actuales de Portugal? ¿Que nadie, ni siquiera Amália, fue capaz de conseguir emocionar a mayor número de personas, con sus interpretaciones de los fados contenidos en el mítico álbum, Lágrimas? Sólo un reproche se le puede hacer a la gran cantante montijana, que se hubiese separado del fado, para experimentar otras vías musicales que, para mi gusto, no fueron acertadas. Pero, dicho esto, disfrutemos de las excelentes interpretaciones de esta gran fadista, la mejor del gran trío de actuales intérpretes portuguesas que, con ella, forman Mariza y Carminho.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=TaCqAdyDeD4[/bbvideo]

Há festa na Mouraria.

Há festa na Mouraria,
é dia da procissão
da senhora da saúde.
Até a Rosa Maria
da rua do Capelão
parece que tem virtude.

Naquele bairro fadista
calaram-se as guitarradas:
não se canta nesse dia,
velha tradição bairrista,
vibram no ar badaladas,
há festa na Mouraria.

Colchas ricas nas janelas,
pétalas soltas no chão.
Almas crentes, povo rude
anda a fé pelas vielas:
é dia da procissão
da senhora da saúde.

Após um curto rumor
profundo siléncio pesa:
por sobre o largo da guia
passa a Virgem no andor.
Tudo se ajoelha e reza,
até a Rosa Maria.

Como que petrificada,
em fervorosa oração,
é tal a sua atitude,
que a rosa já desfolhada
da rua do Capelão
parece que tem virtude.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=ivQXo93vWbs[/bbvideo]

Fado Português.

O fado nasceu um dia
Quando o vento mal bulia
E o céu o mar prolongava
Na amurada de um veleiro
No peito de um marinheiro
Que estando triste cantava

Ai que lindeza tamanha
Meu chão, meu monte, meu vale
De folhas, flores, frutas de oiro
Vê se vês terras de Espanha
Areias de Portugal
Olhar ceguinho de choro

Na boca de um marinheiro
No frágil barco veleiro
Cantando a canção magoada
Diz o pungir dos desejos
Do lábio a queimar de beijos
Que beija o ar e mais nada

Mãe adeus, adeus Maria
Guarda bem o teu sentido
Que aqui te faço uma jura
Que eu te leve à sacristia
Ou foi Deus que foi servido
Dai-me no mar sepultura

Ora eis que embora outro dia
Quando o vento nem bulia
E o céu o mar prolongava
A proa de outro veleiro
Velava outro marinheiro
Que estando triste cantava

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=XYT4iQ8ukWE[/bbvideo]

Júlia Galdéira.

A Júlia Galdéria
Viveu na miséria
Foi ela a culpada,
Marido não tinha
Vivia sozinha
Ali na lançada.

Vivia contente
Olhava para a gente
Com ar de chalaça,
E tudo o que tinha
Uma garrafinha
Da velha cachaça!

A Júlia Galdéria,
Um dia morreu,
Foi a Taberna do Cinco
A que mais sofreu...

Oh Júlia Galderia,
Tua triste história!
Mas eu não estou esquecido
E tenho bebido
Em tua memoria!

Caías aqui
Caías ali
E punhas-te em pé,
Pelo S. Martinho
Bebias bom vinho
E bom agua pé!

Júlia malcriada,
Estás alcoolizada,
É esse o mistério!
Vazaste o baril,
Esticaste o pernil,
Foste parar ao cemitério...
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 03 Nov 2012 19:34

Mariza es la más popular del trío de damas del fado. En sus actuaciones sabe conectar, como nadie, con la gente. Consiguió, además, dar un giro nuevo al fado, destacando su carácter alegre y festivo, tal como proclama ella misma en el fado "Recusa". Sin más preámbulos, disfrutemos de sus interpretaciones.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=MYTkaYoTJDU[/bbvideo]

Feira de Castro.

Eu fui a Feira de Castro
P'ra comprar um par de meias
Vim de lá com umas chanatas
E dois brincos nas orelhas

As minhas ricas tamancas
Pediam traje a rigor
Vestido curto e decote
Por vias deste calor

Refrão:
Quem vai a Feira de Castro
E se apronta tão bonito
Não pode acabar a Feira
Sem entrar no bailarico

Sem entrar no bailarico
A modos que bailação
Ai que me deu um fanico
Nos braços de um manganão

Vai acima, vai abaixo
Mais beijinho, mais bejeca
E lá se foi o capacho
Deixando o velho careca

Todo o texto quer um tacho
Mas como recordação
Apenas traço o capacho
Qu'iludiu meu coração

Refrão:
Quem vai a Feira de Castro
E se apronta tão bonito
Não pode acabar a Feira
Sem entrar no bailarico

Sem entrar no bailarico
A modos que bailação
Ai que me deu um fanico
Nos braços de um manganão

Eu fui a Feira de Castro
Eu vim da Feira de Castro

Eu fui a Feira de Castro
Eu vim da Feira de Castro

Eu fui a Feira de Castro
E jurei para mais não...

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=6Iapqgekl3I[/bbvideo]

Rosa branca.

De Rosa ao peito na roda
Eu bailei com quem calhou
Tantas voltas dei bailando
Que a rosa se desfolhou

Quem tem, quem tem
Amor a seu jeito
Colha a rosa branca
Ponha a rosa ao peito

Ó roseira, roseirinha
Roseira do meu jardim
Se de rosas gostas tanto
Porque não gostas de mim?

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=f4q8eNAYWoc[/bbvideo]

Recusa. (¡Atención a la actuación, a la guitarra, de Luis Guerreiro!)

Se ser fadista, é ser lua,
É perder o sol de vista,
Ser estátua que se insinua,
Então, eu não sou fadista

Se ser fadista é ser triste,
É ser lágrima prevista,
Se por mágoa o fado existe,
Então, eu não sou fadista

Se ser fadista é no fundo,
Uma palavra trocista,
Roçando as bocas do mundo,
Então eu não sou fadista

Mas se é partir à conquista
De tanto verso ignorado
Então eu não sou fadista
Eu sou mesmo o próprio fado.
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 03 Nov 2012 19:58

Del trío de damas del fado, Carminho es la más joven y la que tiene un mayor recorrido en su carrera musical. En la actualidad, ya se le nota que maduró mucho, en sus dotes interpretativas. De ella, llegó a decir Amália que, por fin, había aparecido su sucesora. Hace unos meses, publicó su álbum, Alma que, aprovechando que está colgado en youtube, lo voy a incluir aquí, igual que su magnífica colaboración con Pablo Alborán, en el videoclip "Perdóname". (Una vez más, veremos a la guitarra portuguesa a Luis Guerreiro)

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=u8NkR2csotg[/bbvideo]

Alma. (Álbum completo)

01. Lágrimas do Céu 02. Malva-Rosa 03. As Pedras da Minha Rua 04. Bom Dia, Amor (carta de Maria José) 05. Folha 06. Meu Namorado 07. Fado das Queixas 08. Fado Adeus 09. Cabeça de Vento 10. Impressão Digital 11. Talvez 12. À Beira do Cais 13. Ruas 14. Saudades do Brasil em Portugal 15. Disse-te Adeus

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=YpqngMToPhU[/bbvideo]

Perdóname - Pablo Alborán y Carminho. (A la guitarra portuguesa, Luis Guerreiro)
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 03 Nov 2012 23:50

Cuando tuve ocasión de ver la película Fados, me impresionó gratamente la actuación de Ricardo Ribeiro, cantando al desafío, con Pedro Moutinho, el fado Fama de Alfama (fado Lopes). Presentí que estaba ante una de las figuras masculinas del fado, que tomaría el relevo de los Marceneiro, Max, Farinha, Ramos y Mauricio. (Por cierto, de este último, Ricardo Ribeiro se declara discípulo y continuador)

Y, aunque Ribeiro es un fadista totalmente convencido de serlo, no tengo la menor duda de que triunfaría interpretando cualquier tipo de canción melódica, universal. Tiene unas condiciones innatas, y excepcionales, para lograrlo. Echo en falta, sin embargo, que no tenga un mayor repertorio de fados, y que se prodigue más en actuaciones directas. Pero, lo dicho, hoy en día es el mejor fadista, digno sucesor de los grandes fadistas mencionados, y ya desaparecidos.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=SQsEz9leN28[/bbvideo]

Água louca da Ribeira.

Água louca da Ribeira,
Que corres em cavalgada,
Porque não vais devagar?
Essa corrida é cegueira...
Não vês, nem olhas p'ra nada,
Na pressa de ver o mar!

Já corri dessa maneira,
Nas asas duma ilusão,
Na loucura de chegar...
Fui deixando pela ladeira,
Pedaços do coração,
Beijos loucos, sem amar!

Vida que foste vivida
A correr tão velozmente,
Paraste à beira do mar...
Agora, vives perdida,
São saudades, o que sentes,
Por não poderes regressar

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=Bp6hnOy4_5o[/bbvideo]

Maria Madalena.

Quem por amor se perdeu
Não chore, não tenha pena.
Uma das santas do céu
- Foi Maria Madalena…

Desse amor que nos encanta
Até Cristo padeceu
Para poder tornar santa
Quem por amor se perdeu

Jesus só nos quis mostrar
Que o amor não se condena
Por isso quem sabe amar
Não chore não tenha pena

A Virgem Nossa Senhora
Quando o amor conheceu
Fez da maior pecadora
Uma das santas do céu

E de tanta que pecou
Da maior à mais pequena
Ai aquela que mais amou
Foi Maria Madalena

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=SiUUQdIXQzU[/bbvideo]

A Porta do Coração.

Feia ou bonita, que importa
Se nos assalta a paixão
Por quem nos sabe vencer,
O coração tem uma porta
E a porta do coração
Abre-se às vezes sem querer!

Cruzei um dia na vida
Com um olhar tanto a preceito
Que me toldou a presença,
Ela não pediu guarida
Mas bateu com tanto jeito
Que entrou sem eu dar licença!

O amor é um imprevisto
Faz-nos rir, faz-nos chorar
Faz-nos sofrer e sentir,
O meu coração tem disto
Às vezes quero-o fechar
Mas ele teima em abrir!

Que importa o riso, a traição
Quem ama tudo suporta
O resto não tem valor,
Só quem não tem coração
É que não tem uma porta
P'ra dar entrada ao amor!
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 04 Nov 2012 22:44

Vicente da Câmara fadista de una elegancia interpretativa muy notable, puede ser considerado como uno de los puentes, con Carlos do Carmo, de los intérpretes tradicionales del fado, con las nuevas generaciones.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=3NYMFfUEbDM[/bbvideo]

O rio que nos viu nascer.

O rio que nos viu nascer
Viu também nascer Lisboa
Sou português, tenho avós
O bom sangue não perdoa...
E como qualquer de nós
Embarco quase sem querer
Que o rio que nos viu nascer
Viu também nascer Lisboa
O Tejo faz-nos partir
Lisboa faz-nos voltar
As marés sempre a seguir
As rotas do Oriente...
Tantas terras, tanta gente
Mais o apelo do mar
O Tejo faz-nos partir
Lisboa faz-nos voltar

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=AhRH4Xk8QqI[/bbvideo]

Fado Marialva.

Portugal desde menino
Foi cavaleiro e campino
Deu cartas como caução
A cavalo, venceu moiros
A cavalo lidou toiros
Foi destemido e pimpão

A nossa história
Foi toda de lés a lés
Uma vitória
Do ginete português

Eu cá p'ra mim, não há, oh não
Maior prazer do que o selim e a mulher
Rédeas na mão, sorrir, amar
Trotar, esquecer e digam lá se isto é descer

Rapaziada de agora
Voltem à bota e à espora
Com orgulho e altivez
Deixem as coisas modernas
Arranjem força nas pernas
Trotar é que é português

Quem anda a trote
Em cima dum bom alter
Leva no bote
A mais difícil mulher

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=S9p561K2eGU[/bbvideo]

Fado das Caldas.

Calça justa bem 'sticada
Já manchada p'lo selim,
Polainas afiveladas.
Antigamente era assim;
Mantas de cor nas boleias (ai)
P´ras toiradas e pr'a ceias.

De milorde aguisalhada,
À cabeça da manada
Trote largo e para a frente,
Com os seus cavalos baios,
As pilecas eram raios
Fidalgos iam co'a gente.

E p'la ponte de Tornada
Por lá é que era o caminho
Bem conduzindo a manada
A passo, devagarinho,
E quem mandava o campino (ai)
Era o mestre Victorino.

Praça cheia, toca o hino
É dos Gamas, gado matreiro
Victor Morais, o campino,
Anadia, o cavaleiro
Que sortes tão bem mandadas
Haviam nessas toiradas.

Nos tempos que não vivi
Findavam as brincadeiras
Nas barracas do Levi
Com dois tintos das Gaeiras
Entre cartazes, letreiros
Com toiros, cavaleiros
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 07 Nov 2012 21:45

Carlos Do Carmo es una institución en Portugal. Sin duda una leyenda viva del fado, el gran maestro al que todos admiran y con quien todos los jóvenes fadistas quieren colaborar.

El año 2008 marcó la celebración de 45 años de carrera de Carlos Do Carmo, una carrera que empezó en los escenarios de su Lisboa natal allá por el año 1963. Para celebrarlo Carlos dio un concierto en el Casino de Estoril donde estuvo rodeado de algunos de los músicos con los que había trabajado durante años y a los que quería rendir un merecido homenaje: Victorino d'Almeida, António Serrano, José María Nóbrega, Joel Pina, José Fontes da Rocha y la orquesta Sinfonietta de Lisboa fueron realmente los invitados especiales de aquella noche mágica que fue el 3 de octubre de 2008.

El "segundo acto" de la celebración fue la edición de Fado Maestro, el primer grandes éxitos de Carlos Do Carmo en 45 años. En este disco se recogen algunos de los temas que contribuyeron a forjar su leyenda: Por Morrer una Andorinha, Duas Lágrimas de Orvalho, Bairro Alto, Gaivota, Canoas do Tejo, Os Putos o Lisboa Menina e Moça.

El broche de oro de esta efeméride fue un concierto en el Pabellón Atlántico de Lisboa: el 23 de noviembre de 2008 Carlos Do Carmo se subió al escenario del mayor espacio escénico de su ciudad natal para ofrecer un espectáculo memorable rodeado de sus artistas favoritos a quienes invitó a unirse a él compartiendo protagonismo: las fadistas Camané, Mariza y Carminho, su hijo, Gil Do Carmo, el pianista Bernardo Sassetti, la cantante donostiarra Maria Berasarte y la orquesta Sinfonietta de Lisboa dirigida por el Maestro Vasco Pearce de Azevedo. El concierto permanecerá por siempre en la memoria de las más de 11.000 personas que fueron testigos de aquella noche mágica.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=V66wB4aomvI[/bbvideo]

Os putos.

Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira ,a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser, criança
Contra a força dum chui, que é bruto.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando ,na mão
A vontade que salta ,ao eixo
Um puto que diz ,que não
Se a porrada vier, não deixo

Um berlinde abafado ,na escola
Um pião na algibeira ,sem cor
Um puto que pede ,esmola
Porque a fome lhe abafa ,a dor.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens

Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=4fmn_KcrHkM[/bbvideo]

Por morrer uma andorinha.

Se deixaste de ser minha
Não deixei de ser quem era
Por morrer uma andorinha
Não acaba a primavera

Como vês não estou mudado
E nem sequer descontente
Conservo o mesmo presente
E guardo o mesmo passado

Eu já estava habituado
A que não fosses sincera
Por isso eu não fico à espera
De uma emoção que eu não tinha
Se deixaste de ser minha
Não deixei de ser quem era

Vivo a vida como dantes
Não tenho menos nem mais
E os dias passam iguais
Aos dias que vão distantes

Horas, minutos, instantes
Seguem a ordem austera
Ninguem se agarre à quimera
Do que o destino encaminha
Pois por morrer uma andorinha
Não acaba a primavera

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=1PN0zy0XaOQ[/bbvideo]

Homem das castanhas.

Na Praça da Figueira,
ou no Jardim da Estrela,
num fogareiro aceso é que ele arde.
Ao canto do Outono,à esquina do Inverno,
o homem das castanhas é eterno.
Não tem eira nem beira, nem guarida,
e apregoa como um desafio.

É um cartucho pardo a sua vida,
e, se não mata a fome, mata o frio.
Um carro que se empurra,
um chapéu esburacado,
no peito uma castanha que não arde.
Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado
o homem que apregoa ao fim da tarde.
Ao pé dum candeeiro acaba o dia,
voz rouca com o travo da pobreza.
Apregoa pedaços de alegria,
e à noite vai dormir com a tristeza.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.

A mágoa que transporta a miséria ambulante,
passeia na cidade o dia inteiro.
É como se empurrasse o Outono diante;
é como se empurrasse o nevoeiro.
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
ardem no fogareiro dores tamanhas.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 08 Nov 2012 00:03

Camané es el mayor de una familia de tres hermanos fadistas, él y Pedro y Helder Moutinho. Ya, en 1979, tomaba parte y triunfaba en la "Grande Noite do Fado". A partir de entonces comenzó una carrera musical repleta de grabaciones y actuaciones en casas de fado, al tiempo que formaba parte también del elenco de diversos espectáculos musicales –producciones de Filipe La Féria como "Grande Noite", "Maldita Cocaína" o "Cabaret". Durante una actuación en las noches de fado del Teatro da Comuna, conoció a José Mário Branco. Así comenzó una relación de trabajo y amistad que los condujo a la publicación de "Uma Noite de Fados", recreada en vivo en el Palácio das Alcáçovas, recreando el ambiente de una casa de fado. El tremendo éxito de aquel trabajo lo convirtió en la voz más representativa de una nueva generación de fadistas. Desde entonces su presencia ha sido constante, como en el homenaje a Amália Rodrigues promovido por la RTP (televisión pública portuguesa) y en sus actuaciones en el extranjero: Francia, Holanda, Italia, España...1998 estuvo marcado por la publicación de "Na Linha da Vida", disco producido por José Mário Branco y con la participación de Custódio Castelo (guitarra portuguesa), Jorge Fernando (guitarra) y Carlos Bica (contrabajo), que ratificó la calidad de Camané y confirmó todas las expectativas.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=KaWhCGTnvAQ[/bbvideo]

Sei de um rio.

Sei de um rio…
Sei de um rio
Em que as únicas estrelas
Nele, sempre debruçadas
São as luzes da cidade

Sei de um rio…
Sei de um rio
Rio onde a própria mentira
Tem o sabor da verdade
Sei de um rio

Meu amor, dá-me os teus lábios!
Dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede!
Mas o sonho continua…

E a minha boca (até quando?)
Ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
"- Sei de um rio…
Sei de um rio…"

Sei de um rio…
Ai!
Até quando?

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=_J-3HCCNr38[/bbvideo]

Fado da sina.

Reza-te a sina
Nas linhas traçadas na palma da mão
Que duas vidas
Se encontram cruzadas
No teu coração
Sinal de amargura
De dor e tortura
De esperança perdida
Indício marcado
De amor destroçado
Na linha da vida

E mais te reza
Na linha do amor
Que terás de sofrer
O desencanto ou leve dispor
De uma outra mulher
Já que a má sorte assim quis
A tua sina te diz
Que até morrer terás de ser
Sempre infeliz

Não podes fugir
Ao negro fado brutal
Ao teu destino fatal
Que uma má estrela domina
Tu podes mentir
às leis do teu coração
Mas ai quer queiras quer não
Tens de cumprir a tua sina

Cruzando a estrada
da linha da vida
Traçada na mão
Tens uma cruz a afeição mal contida
Que foi uma ilusão
Amor que em segredo
Nasceu quase a medo
Para teu sofrimento
E foi essa imagem a grata miragem
Do teu pensamento

E mais ainda te reza o destino
Que tens de amargar
Que a tua estrela de brilho divino
Deixou de brilhar
Estrela que Deus te marcou
Mas que bem pouco brilhou
E cuja luz aos pés da cruz
Já se apagou

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=NOV0-BcsmW4[/bbvideo]

Ela tinha uma amiga.

Ela tinha uma amiga chamada Maria
Que era quem me atendia quando eu telefonava
Ela tinha uma amiga chamada Maria
A quem ela dizia para dizer que não estava
E quando eu insistia, e não desligava
Era sempre a Maria
Que me mentia e me consolava
E perguntava o que é que eu lhe queria

Ela tinha uma amiga chamada Maria
Que nunca sabia por onde ela andava
Ela tinha uma amiga chamada Maria
De quem se servia quando me enganava
E quando eu lá ia, e não a encontrava
Era sempre a Maria
Que me dizia que ela não tardava
Que me jurava que ela voltaria

Quando eu ia buscá-la, e a gente saía
Era sempre a Maria que nos animava
Quando eu a convidava, e ela não queria
Era com a Maria que eu sempre dançava
E quando eu inventava uma melodia
Era sempre a Maria
Que me aplaudia, e ela não ligava
E eu ficava a cantar prá a Maria

No cinema, no escuro, quando eu a beijava
Ela empalidecia, a Maria corava
Ela não me ligava e adormecia
E era com a Maria
Que eu conversava
E que eu ficava quase até ser dia

Ela tinha uma amiga chamada Maria
A quem ela dizia p´ra dizer que não estava
Até que outro dia ela me telefonou
E eu disse: Maria...
E eu disse: Maria!
E eu disse: "Maria, vai dizer que eu não estou!"
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
"La salud es un estado transitorio que no augura nada bueno". (Ramón Sánchez Ocaña). "El populismo ama tanto a los pobres que los multiplica". (Gloria Álvarez)
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 08 Nov 2012 23:17

Pedro Moutinho en el escenario, todo en él es fado: su voz, su mirada, su pose y sus gestos. Pedro da cuerpo a sus canciones y comprende los matices y las sutilezas del género que ha escogido: vuela sobre la guitarra portuguesa, rodea la guitarra clásica y hace suyas las melodías con una voz tan segura, que parece que lleva cantando desde siempre. Lo que en cierta medida, es verdad: Pedro empezó a cantar a los 11 años y desde entonces ha pisado muchísimos escenarios, después de haber actuado muchas noches en casas de fado, donde la verdad prevalece, porque no existe distancia entre los que cantan y los que escuchan.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=NtPmAms2d5o[/bbvideo]

Sem sentido.

Naquela noite sem lua
Talvez por andar perdido
Entrei pela tua rua
Em sentido proibido

Tentei fazer marcha-atrás
Mas disseste divertida
Que o sentido tanto faz
A rua não tem saída

Começando a sentir frio
E sendo já noite morta
Ao ver um lugar vazio
Estacionei à tua porta

Que sentido tão perverso
Teve essa noite sem lua
Andar em sentido inverso
Pr'a acabar na tua rua

Se faz sentido não sei
Mas não estou arrependido
Dos sentidos que encontrei
Nessa noite sem sentido

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=9Qf6uYvYXXo[/bbvideo]

Um copo de sol.

Bebe um copo de sol
Com mais de mil milhões de anos
Que é da estirpe das estrelas que destilam os humanos
Deixa o calor afogar-se na veia
Há lá coisa assim mais séria que andar nesta bebedeira

Bebe um copo de sol
Um de copo sol "on the rocks"
E tem paixões siderais de Lisboa até Cascais
P'ra beber sol
O mundo inteiro é uma tasca
Onde a gente se enfrasca de manhã ao pôr do sol

Bebe um copo de sol
Que a tarde vem bem avançada
A lua está mesmo a chegar e p'ra beber nunca tem nada
P'ra se vingar,
a lua inventa um arder
Que num fermento qualquer a gente aprende a beber

Bebe um copo de sol
Por mim, por ti, por todos nós
Frutos da seiva solar que nos fez netos, nos faz avós
Vai luz adentro ao campo bom desta adega
Como um corpo que se dá
Bebe o sol que a ti se entrega

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=mlGVPk1C5q0[/bbvideo]

Mais um dia.
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 10 Nov 2012 20:59

Después de este breve recorrido que nos permitió conocer a aquellos intérpretes del fado que consiguieron con su trabajo el reconocimiento de esta excelente expresión musical, como patrimonio inmaterial de la Humanidad, traeré al foro a otros buenos intérpretes que siguen el camino marcado por aquellos.

Ana Moura ha surgido como una de las principales representantes del fado tradicional, al mismo tiempo que el venerado género ha disfrutado de un nuevo auge de popularidad. La relación profesional que la cantante tiene con el compositor, productor, arreglista y guitarrista Jorge Fernando, quien trabajó con Amalia Rodrigues, la indiscutible reina del fado que murió en 1999 a la edad de 79 años, le ha ayudado a Ana a estimular sus desarrollos artísticos y la ha provisto de un repertorio musical fascinante. «Hoy», explica Ana, «hay una nueva generación cuyas letras de sus canciones están relacionadas con nuestro tiempo. Hay también algunas canciones antiguas de fado que nosotros, los jóvenes cantantes, no podemos interpretar, ya que las letras son acerca de temas y épocas con las cuales nosotros no nos identificamos. No lo sentimos propio y el fado es básicamente sentimiento. Debemos sentir lo que cantamos, y hay muchos fados antiguos que no pertenecen a nuestra generación. Los cantantes más jóvenes utilizan letras de canciones que retratan la actualidad, por lo que los jóvenes se han vuelto a interesar por esta música de nuevo».

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=zreA3NgiPYE[/bbvideo]

Os Búzios - Ana Moura
Composição: Jorge Fernando

Havia a solidão da prece no olhar triste
Como se os seus olhos fossem as portas do pranto
Sinal da cruz que persiste, os dedos contra o quebranto
E os búzios que a velha lançava sobre um velho manto

(Refrão)

À espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na ponta do medo
Vê como os búzios caíram virados p’ra norte
Pois eu vou mexer o destino, vou mudar-te a sorte (bis)

Havia um desespero intenso na sua voz
O quarto cheirava a incenso, mais uns quantos pós
A velha agitava o lenço, dobrou-o, deu-lhe 2 nós
E o seu padre santo falou usando-lhe a voz

À espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na ponta do medo
Vê como os búzios caíram virados p’ra norte
Pois eu vou mexer o destino, vou mudar-te a sorte (bis)

À espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na ponta do medo
Vê como os búzios caíram virados p’ra norte
Pois eu vou mexer o destino, vou mudar-te a sorte!
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 10 Nov 2012 21:24

La médico oftalmólogo, Katia Guerreiro, es también una notable fadista, en cuya actividad artística debutó en el homenaje que Lisboa tributó a Amália, en el Coliseo de esa ciudad, en 2000. En 2006, Katia Guerreiro presentó en concierto su tercer disco, «Tudo ou Nada». Un trabajo en el que la artista ha incluido obras de Sohia de Mello Breyner, Vinicius de Moraes, Lobo Antunes o Joaquim Pessoa, y en el que adopta su tono más profesional y autobiográfico para demostrar que hace tiempo que dejó se ser una revelación para convertirse en una de las principales y más seductoras voces del fado de hoy en día. En palabras de la propia Katia, "‘Tudo ou Nada’ es como un apuesta que hago en todo lo que soy: médico, artista, mujer, hija, hermana, amiga…"

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=87M_YD1AZn0[/bbvideo]

Tudo ou nada.

Deixa-me olhar
Por dentro do teu olhar
E abrir de par em par
Nossa janela ao destino

E quando entrar
Sempre em cada momento
Vão ouvir a voz do vento,
Partiremos sem pensar

Nesse lugar
Seja lá onde for
Vou fazer do nosso amor
Mil versos p'ra te cantar

Quero viver
Por dentro dos teus sentidos
Mesmo em sonhos proibidos
Descobrir a realidade

Ser tudo ou nada
Mas sempre contigo ao lado
Porque me dás este fado
De viver a felicidade

Pois nesta vida
Que Deus nos deu p'ra viver
Tudo pode acontecer
Sem nunca haver despedida

Ser tudo ou nada
Mas sempre contigo ao lado
Porque me dás este fado
De viver a felicidade

Pois nesta vida
Que Deus nos deu p'ra viver
Tudo pode acontecer
Sem nunca haver despedida
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 10 Nov 2012 21:38

El arte de Cristina Branco está indisolublemente ligado al de Custódio Castelo. Intérprete de la guitarra portuguesa, es también el compositor de la mayoría de los fados que ella ha elegido cantar. Su intuición melódica, la delicadeza de los lazos que teje entre texto y música, su entendimiento instintivo del color vocal de Cristina, han dado a luz a fados especialmente expresivos, a estados de ánimo diversos y apasionados, en los que la famosa “saudade”, esa melancolía fatalista heredada del pasado marítimo del país, puede alternar con episodios llenos de alegría o una sutil ligereza de toque, creando una atmósfera de una originalidad única. Porque, si nada parecía predestinar a Cristina Branco al fado, debería reconocerse que ahora hay en este género un estilo Cristina Branco: muy a menudo consiste en un agrupamiento tradicional de una voz y tres guitarras (guitarra portuguesa, guitarra y guitarra bajo); una voz que es a un tiempo cálida, ligera y sensible; la fusión de fados tradicionales y obras originales; la cuidadosa selección de textos de poetas famosos (como, obviamente, Pessoa) o de poetas más jóvenes, algo que hace de Cristina una portavoz de la nueva cultura portuguesa.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=uNAzh3j7oeM[/bbvideo]

Sete pedaços de vento - Cristina Branco
Composição: Jose Luis Gordo e Custódio Castelo

Entrego ao vento os meus ais
onde o desejo se mata
sete desejos carnais
que o meu desejo desata

meus lábios estrelas da tarde
sete crescentes de lua
que o desejo nao me guarde
na vontade de ser tua

quero ser. eu sou assim.
sete pedaços de vento
sete rosas num jardim
num jardim que eu própria invento

sete ares de nostalgia
sete perfumes diversos
nos cristais da fantasia
amante de amores dispersos

sete gritos por gritar
sete silencios viver
sete luas por brilhar
e um céu para acontecer

entrego ao vento os meus ais
onde o desejo se mata
sete desejos carnais
que o meu desejo desata

meus lábios estrelas da tarde
sete crescentes de lua
que o desejo nao me guarde
na vontade de ser tua

que o desejo nao me guarde
na vontade de ser tua

que o desejo nao me guarde
na vontade de ser tua
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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Re: El Fado, Patrimonio Inmaterial de la Humanidad.

Mensajepor juanmanuel » 10 Nov 2012 21:47

Mafalda Arnauth (Lisboa, 4 de octubre de 1974) es una fadista portuguesa. Inició su carrera en 1995, en un concierto en el Teatro de São Luís, en Lisboa, en el que participó gracias a una invitación del fadista João Braga. Lo que parecía en un principio como una participación puntual se convirtió en una carrera profesional. Su primer álbum, Mafalda Arnauth (1999), fue aclamado por la crítica y recibió el premio a la voz revelación por parte de la revista portuguesa BLITZ, además de ser muy apreciado por el público joven, un éxito que se repetiría en su segundo disco, Esta voz que me atravessa (2001), casi completamente dedicado al fado. En 2003, Mafalda Arnauth lanzó Encantamento, en el que surge también como compositora, firmando casi todas las composiciones. Diário (2005) fue elegido por la crítica y sus seguidores como el mejor trabajo de la cantante hasta la fecha.

[bbvideo=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=OOFe4Krv048[/bbvideo]

O mar fala de ti.

Eu nasci nalgum lugar
Donde se avista o mar
Tecendo o horizonte
E ouvindo o mar gemer
Nasci como a água a correr
Da fonte

E eu vivi noutro lugar
Onde se escuta o mar
Batendo contra o cais
Mas vivi, não sei porquê
Como um barco à mercê
Dos temporais.

Eu sei que o mar não me escolheu
Eu sei que o mar fala de ti
Mas ele sabe que fui eu
Que te levei ao mar quando te vi
Eu sei que o mar não me escolheu
Eu sei que o mar fala de ti
Mas ele sabe que fui eu
Quem dele se perdeu
Assim que te perdi.

Vou morrer nalgum lugar
De onde possa avistar
A onda que me tente
A morrer livre e sem pressa
Como um rio que regressa
Á nascente.

Talvez ali seja o lugar
Onde eu possa afirmar
Que me fiz mais humano
Quando, por perder o pé,
Senti que a alma é
Um oceano.
Principio de presunción de inocencia, según los socialistas: "Todo acusado es culpable, mientras no demuestre su inocencia ... y, si es del PP, aunque la demuestre".
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